Fraudes no Turismo: como funciona e meios de combatê-la

 

As fraudes acontecem em quase todo tipo de mercado de varejo. É raro alguém não conhecer um amigo, tio ou conhecido qualquer que tenha passado por uma situação de estresse devido a uma compra fraudulenta ou que se caracterize como estelionato, quando você compra algo com a falsa concepção de que se trata de um produto legítimo, ou até se alguém rouba os dados de seu cartão de crédito para realizar uma compra que não é sua.

O funcionamento e lógica dos fraudadores podem se assemelhar consideravelmente, porém, ao de qualquer empresa. Assim como elas, fraudadores “buscam lucratividade, e, portanto, estão atentos às demandas de mercado (ou seja, os itens de desejo de compradores potenciais) e monitoram seus níveis de estoque”, explica em um artigo a especializada em antifraude e gerente de Produtos da Clearsale, Ana Carolina Alves. Segundo ela, quem realiza fraudes ou estelionatos avaliam os riscos de seus “investimentos” como empresas comuns fazem, e até formam associações para debater meios de alcançar maior sucesso no negócio ilegal.

O segmento de viagens não é exceção, e sofre fraudes como qualquer outro mercado de varejo; mais que isso, o Turismo, de acordo com Ana Carolina, se tornou um dos segmentos mais visados por fraudadores pela “oportunidade de lucro alto e rápido” que oferece.

A executiva da Clearsale listou quatro características específicas de quem realiza fraudes na indústria de viagens; veja abaixo:

1- FRAUDES MENOS ARRISCADAS
“Quando a fraude envolve a entrega de um produto, o fraudador se expõe de alguma forma, pois precisará garantir seu recebimento. Já no segmento de viagens, não é necessário alterar os dados de endereço do comprador, pois a reserva será recebida por e-mail”, explica a especialista. O fraudador, na maior parte dos casos, não é o passageiro da compra, e por isso se expõe menos, não precisando de um endereço ligado a ele ou a pessoas relacionadas, nem ao menos se apresentando no local de embarque.

Para Ana Carolina, isso torna ainda a prevenção deste tipo de fraude mais complexa. “O fraudador precisa alterar menos dados no cadastro do usuário. Mais ainda, é muito comum a compra de passagens autênticas para terceiros nesse segmento (pais comprando para filhos, amigos comprando para amigos, etc), com alteração do e-mail de envio da reserva para que o passageiro tenha os documentos de viagem”, explicou a executiva.

“Ou seja, há menos evidências para diferenciar as transações autênticas das transações fraudulentas do que há nos pedidos do e-commerce tradicional.”

2- “REVENDA” ACONTECE ANTES DA FRAUDE
Segundo Ana, fraudadores do varejo de produtos comuns focam naqueles de valor elevado e com mais rapidez na venda, como smartphones. Para isso funcionar, porém, ele precisa ter bem-sucedido na realização da fraude, e o lucro só acontece se ele receber o produto, antes que a compra seja cancelada.

“Já com viagens, a situação se inverte. O fraudador precisa saber o trecho, data e hora que irá vender para poder lucrar com a fraude. “Isso muitas vezes implica em primeiro vender uma passagem e depois realizar a fraude para obtê-la”, explicou Ana Carolina. Neste caso, mesmo que o passageiro não possa embarcar no voo, o fraudador já lucrou com a venda.

3- DIFICULDADE DE SE RECONHECER UMA FRAUDE
“Existem relatos de anúncios de fraudadores passando-se por agências de viagens que possuem preços especiais para atrair clientes e, em consequência, muitos passageiros chegam ao aeroporto sem sequer imaginar que participaram de uma fraude”, conta a gerente da Cleasale. A maioria deles, inclusive, acredita que compraram de uma agência verídica, e por isso tem o direito de embarcar com as passagens em mãos.

Dreamstime

Identificar agências on-line fraudulentas é complicado, devido a semelhança com agências comuns

Identificar agências on-line fraudulentas é complicado, devido a semelhança com agências comuns

“Isso exige das empresas aéreas muita destreza no atendimento ao cliente para não causar impactos negativos em sua própria imagem”, alerta Ana Carolina. “Por outro lado, se bem feito, esse contato pode gerar importantes inputs sobre o fraudador e ajudar na prevenção de novas fraudes”.

4- TIMING É TUDO
No varejo comum, a aprovação da compra – o que envolve a liberação de crédito e a autenticação antifraude – costuma acontecer em um tempo limite fixo de poucos dias, assim como o prazo de entrega, que inicia a partir de tal aprovação; ou seja, pode não ser fácil perceber a compra fraudulenta no seu cartão antes da fatura chegar, dificultando o cancelamento da aquisição.

“Na compra de passagens, a lógica é reversa: o voo tem dia e horário para acontecer, o que significa que comprar com muita antecedência aumenta as chances de o indivíduo fraudado notar o débito em seu cartão, reportar a fraude e a passagem ser cancelada”, explicou Ana Carolina. Assim, geralmente fraudadores optam por comprar passagens próximas da data de compra, para reduzir o risco de serem descobertos.

“Mesmo já tendo lucrado com a passagem, quanto mais tempo ele conseguir manter-se com sucesso (nas vendas fraudulentas), mais clientes terá sem precisar mudar anúncio, local de “atendimento”, etc”, continuou Ana.

“Vale lembrar o que mencionamos anteriormente: fraudadores funcionam como empresas e buscam por maior lucratividade”.

SOLUÇÕES E PREVENÇÃO
Pelas características e métodos utilizados nas fraudes do segmento, para Ana Carolina é necessária uma atenção especial na prevenção de “furtos” nas viagens.

“Dada a atratividade do segmento, os fraudadores inovam frequentemente na forma de ataque, encontrando novos pontos de fragilidade a todo momento, o que exige que a solução de prevenção à fraude tenha o mesmo dinamismo”.

Assim, soluções genéricas de prevenção costumam ser as menos eficazes; a detecção acontece de forma mais lenta, assim como as reações às mudanças do comportamento de compras dos clientes.

“É importante utilizar plataformas que apliquem múltiplas abordagens na detecção de fraude, englobando diferentes tecnologias e inteligência que possam adequar-se ao cenário específico de cada cliente, como inteligência artificial, behaviour analytics e monitoramento assistido”, recomenda a especialista.

“Manter baixos níveis de fraude sem impactar a receita, não é tarefa fácil, mas a escolha da plataforma adequada pode trazer um equilíbrio saudável entre essas variáveis. Vale a pena investir na busca do melhor parceiro para a sustentabilidade de seus negócios e garantia de mais tranquilidade no dia a dia”, finalizou a gerente de Produtos da Clearsale.

*Fonte: Blog Clearsale

conteúdo original: http://bit.ly/2katgo0

 

Fonte: Leonardo Ramos, http://www.panrotas.com.br/noticia-turismo/seguranca/2017/12/fraudes-no-turismo-como-funciona-e-meios-de-combate-la_151834.html?lista

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